sábado, 18 de dezembro de 2010


Por que você gosta tanto de mim?

(Segundos suspensos no ar. Mente que roda ativa, procurando alguma resposta cabível e imparcial; válida, e compreensível. A escuridão do cômodo refletindo apenas o teu olho branco, que brilha acompanha meus movimentos lentos, enquanto eu mesma me pergunto: como gostar tanto de você? Pelo aprendizado, quem sabe. Por você estar de meias brancas, e não pretas. Por esse destino traiçoeiro, que me entrega um cartão com o seu nome, me faz escutar teu sotaque em cada esquina dessa cidade turística, e te ver em outras pessoas, a qualquer momento; desprevenida. Ser apaixonada pela sua barba, e seu cabelo assim, comprido - e não curto. E passear minhas mãos por entre os fios escuros, porque meu cabelo é liso e claro demais pra qualquer cafuné. Gosto de ir conversando a vida aos poucos, como quem não tem pressa de acontecer. De poder rir da sua letra, visivelmente máscula. Ver que você se esforça pra ser sempre mais, melhor. E achar isso completamente afrodisíaco. Poder brincar de qualquer festim existente; sem deixar o tédio consumir vezenquando. Massagear as tuas costas. Detestar em conjunto à ti tomate e cabelos curtos, e usar o mesmo shampoo, e a mesma pasta de dente; por mero acaso, e não por indicação, ou combinação. E ainda assim, adorar a adversidade de gostos musicais, nos separando tanto em afinidade.  Lembrar de algum momento memorável, e sorrir sozinha, um pouco boba e totalmente insana. Pensar em você, e bobagens purpurinadas brilharem na minha mente. E num atentado de loucura ao meu pudor, comprar um brinquedo que te lembra a infância; deixar na sua portaria, para surpreender de qualquer maneira. Rir do seu ciúme bobo dos atores da televisão, e sorrir me sentindo quase uma lagartixa; esmagada na parede, sob a sua respiração forte na minha orelha miúda. Pedir pra você um sorriso, quando você quase me sufoca entre braços. Conversar sobre o meu futuro, e o seu. Ouvir atenta as sugestões que você sempre me dá do que fazer, de que caminho seguir. Fechar os olhos, quando você beija a minha testa. Roçar o meu nariz no teu, porque eu acho beijo-de-esquimó o gesto mais simples, e ao mesmo tempo mais puro, de amor. E nunca me assustar realmente, ou rir, quando você finge ter um ataque do coração, ou quase morrer. Mas não saber o que fazer, caso isso realmente acontecesse. Sempre esquecer algo, seja minha sombrinha inseparável, ou algum brinco - como num ato coincidente de deixar minha marca, mesmo que sublime.
Apreciar até mesmo a roupa que detesto, e que você coloca apenas pra ficar em casa; ter um carinho pelo chinelo enorme com meia, que você usa. Querer viajar o mundo na tua companhia, e nunca revelar isso - se fosse o litoral, eu já ficaria feliz. Acampar, e olhar o céu estrelado. Amar o teu perfume; e senti-lo em todo lugar, em uma festa qualquer, e no meio do shopping. Qualquer toque, e cógegas; e logo depois, rir de tamanha sensibilidade. Te encontrar nem que seja em algumas horas do meu dia, suficientes pra me fazer feliz até um próximo encontro. Não existe uma razão, e sim, tantas. E ao mesmo tempo, nenhuma. O que há é algum sentimento, e escravidão louca, que me faz retornar sempre. Gosto, porque gosto.  E não precisa ser dito. Talvez, porque há sempre algum empecilho, tantas barreiras a serem vencidas, e eu gosto de ser colocada à prova; sei posso vencer essas, e quaisquer dificuldades, quando quero algo. Pergunta cretina, e justo agora. Se eu realmente explicasse, nem o tempo seria exato, as palavras me fugiriam, e eu gaguejaria, aposto todas. Então, improviso.)

- Ah...Porque, sei lá. Não sei se tem um porque. Eu gosto de conversar contigo, a gente tem química, e é isso, eu acho. E tu, porque tu gosta tanto de mim?
- Porque tu me deixa louco.

Homens, sempre homens. E...Não é amor. Quem sabe um dia se torne, ou nunca aconteça. Por enquanto, não. Uma pena, um engano. Ou muito mais que isso.

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